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O Pulo do gato

 

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No mundo de hoje tudo muda rápido, existe um excesso de escolhas a serem feitas o tempo todo. Essas escolhas são muito mais amplas que toda a acessibilidade de compras que possuímos. Contudo, mesmo essa abundância de escolhas tem nos levado a uma espécie de servidão consumista. Pelo que vejo, a maioria das pessoas precisa ter para se sentir forte e incluído em um determinado grupo. Para algumas pessoas ter determinado celular, bolsa ou carro torna-se um esforço sobre-humano no sentido de se sentir validado. Assim vivemos uma sensação de inadequação, de que sempre falta algo. Claro que falta, mas, tendemos a colocar o foco dessa falta em coisas materiais, mas aquilo que nos joga nessa busca insana é uma carência imaterial.

Quando olho hoje para minha vida, parece que eu estava fadada a fazer uma longa jornada de autodesenvolvimento. Minhas dúvidas de ordem existencial surgiram muito cedo e a percepção que existia algo mais também.

Fui um bebê alegre e exuberante, uma criança tímida e desconfiada, uma adolescente calada, fantasiosa e questionadora. Tive mestres dentro e fora de casa e, com o tempo, aprendi a reconhecê-los. No entanto a sensação de inadequação não passava, não queria uma vida vazia de sentido, mas também não sabia o que queria.

No início de minha vida adulta me deparei com uma limitação física que me jogou fora da zona de conforto. Por conta disso passei a querer respostas mais claras, mais amplas. Mergulhei de cabeça na minha frustração e na busca para resolvê-la. Busquei vários tipos de terapias, várias correntes de estudo que a vida vinha trazendo e desenhando. O final dos anos 90, por conta da virada do milênio, vivemos anos muito ativos em cursos e terapias alternativas. Astrologia, canto, dicção e oratória, computação, Reiki, cromoterapia, acupuntura, florais, Feng-shui, permacultura, fisiogognomia, fitoterapia, cosmosterapia, italiano, pintura, poesia, qualidade total, apometria, cada uma abria uma porta ou uma janela e o mundo foi ficando vasto, sem que eu tivesse ido muito além da minha cidade. Para um olhar mais objetivo, parecia que apenas me fragmentava: que nada!

Um dia, em meio a uma aula, tive um insight e simplesmente entendi o que me atormentava há tanto tempo, compreendi o que estava fazendo errado, corrigi a rota. Simplifiquei, desapeguei até necessidade conhecimento, aprendi a fluir. Compreendi que as respostas vêm através de pessoas, de encontros quase inexplicáveis, surgem num decalque em um lugar qualquer, vem num livro que chega de presente ou revista em uma sala de espera. Quando mergulhamos verdadeiramente em nós mesmos, na busca de autoconhecimento, o universo conspira, nos ajuda, vai nos proporcionando maturidade até sobre os desejos. Essas conquistas são individuais e intransferíveis, elas acendem uma luz interna que nos permite SER. E não se preocupe, a grande maioria dos seus amigos nunca vai porque você parece tão satisfeito.

Algumas coisas podemos mudar, outras estão totalmente fora de nosso alcance, ainda que temporariamente, então por que sofrer por elas?

EE-Colunista-Ane-KielingEE-Colunistas-aviso-geral

09 mar 2017